Autor do mês _ Vergílio Ferreira
Neste mês de janeiro, destacamos o escritor Vergílio Ferreira.
Vergílio Ferreira foi um dos mais importantes escritores e ensaístas portugueses do século XX, amplamente associado ao existencialismo na literatura portuguesa.
Nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, no concelho de Gouveia, região da Serra da Estrela. A infância passada num meio rural e austero marcou profundamente a sua obra, tanto na temática da memória como na reflexão sobre a identidade e a condição humana.
Formou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de professor no liceu (ensino secundário) durante vários anos, lecionando em diferentes cidades do país. Paralelamente à carreira docente, desenvolveu uma intensa atividade literária, que viria a torná-lo uma figura central da literatura portuguesa contemporânea.
A sua obra pode dividir-se, de forma geral, em duas fases:
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Primeira fase (neorrealista): inclui romances como O Caminho Fica Longe (1943), onde ainda se nota uma preocupação social.
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Segunda fase (existencialista): a mais marcante, iniciada com Mudança (1949) e consolidada em obras como Aparição (1959), considerado o seu romance mais emblemático. Nesta fase, centra-se na reflexão filosófica sobre o sentido da vida, o eu, o tempo, a morte e a criação artística.
Além do romance, destacou-se como ensaísta e diarista, sobretudo com a obra Conta-Corrente, um vasto diário intelectual onde reflete sobre literatura, filosofia, arte e a sua própria escrita.
Vergílio Ferreira recebeu vários prémios literários de grande prestígio, entre os quais:
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Prémio Camões (1992), a mais alta distinção da literatura em língua portuguesa.
Faleceu a 1 de março de 1996, em Lisboa.
A sua obra continua a ser amplamente estudada e lida, especialmente no ensino secundário e universitário, sendo reconhecida pela profundidade filosófica, rigor estilístico e reflexão existencial.





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