Autor do mês_ Florbela Espanca

 


Ao longo do mês de dezembro, a Biblioteca Escolar destaca Florbela Espanca como «autora do mês», assinalando assim o aniversário do seu nascimento, ocorrido a 8 de dezembro de 1894. Trata-se de uma oportunidade para dar a conhecer melhor a vida e a obra desta voz singular da poesia portuguesa, cuja escrita intensa e profundamente emotiva continua a tocar leitores de diferentes gerações.

 

Florbela Espanca foi, sem dúvida, uma das figuras mais marcantes da literatura portuguesa do início do século XX. Poetisa sensível e intensa, destacou-se por uma escrita profundamente emotiva, marcada por temas como o amor, a solidão, a saudade e a busca de uma felicidade quase sempre inatingível. A sua poesia dialoga com correntes como o Simbolismo, o Decadentismo e o Neorromantismo, mas é habitualmente entendida como uma voz muito singular, de forte tom confessional.

Desde cedo revelou talento para a escrita, tendo composto poemas, desde muito jovem, sobretudo em forma de soneto. As suas principais obras poéticas, como Livro de Mágoas (1919), Livro de Soror Saudade (1923) e Charneca em Flor (póstumo, 1931), mostram a capacidade de transformar emoções intensas em versos de grande musicalidade e de densidade afetiva. Ao longo da sua produção, Florbela constrói um sujeito poético marcado pela mágoa, pela saudade e por um intenso desejo de plenitude amorosa.

Como poetisa explorou frequentemente a condição feminina e o desejo de afirmação pessoal, numa época em que a voz das mulheres tinha pouca visibilidade literária. Essa dimensão, associada à expressão de desejo, erotismo e sofrimento, faz com que a sua obra seja hoje lida também como um marco importante na afirmação da escrita feminina em Portugal. A franqueza com que expõe conflitos íntimos contribui para a modernidade da sua poesia.

Na sua vertente mais pessoal, a vida de Florbela foi marcada por dificuldades emocionais, perdas familiares, problemas de saúde e conflitos afetivos, fatores que influenciaram fortemente o tom sofrido e intenso de grande parte da sua obra. Morreu em 1930, pouco antes da publicação de Charneca em Flor, e o reconhecimento da importância da sua poesia foi-se consolidando sobretudo após a sua morte.

Hoje, Florbela Espanca é estudada e admirada como uma das grandes vozes da poesia portuguesa, pela forma original como transformou dor, desejo e paixão em literatura de elevado valor artístico.








 

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